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Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

DEBATE “ A MULHER NA SOCIEDADE”

Debate realizado pela Comissão Concelhia de Olhão do PCP no dia 12

de Abril na Soc. Recreativa Olhanense
 
 
 
 
Texto introdutório(1)
            Falar do papel da mulher na sociedade, particularmente em Olhão, neste mês de Abril e neste ano 2008, é duplamente aliciante.
 
            Primeiro e principalmente, porque foi em Abril que teve lugar a Revolução que coloriu este País libertando-o de 50 anos de uma longa vida a preto e branco, em que uma ditadura de triste memória,   nos relegou a todos e, às mulheres em particular de uma forma ainda mais violenta porque  duplamente oprimidas; na sua participação de cidadania como os homens, mas também no seu papel de mulheres, completamente relegadas para segundo plano e sem direito de decidirem sobre as suas próprias opções que dependiam em muitos casos da autorização do pai, do marido, do irmão, etc.
 
           Em Olhão terra de operariado ainda mais acentuadas eram todos essas limitações.
 
          Em segundo porque estamos em 2008 e se comemoram 200 anos sobre a passagem de Olhão a cidade como recompensa do Rei pelo facto de terem sido os Olhanenses que num pequeno barco”o caíque” foram até ao Brasil levar-lhes a novidade da expulsão dos franceses, facto para o qual os olhanenses tinham dado um bom contributo já que protagonizando a primeira sublevação bem sucedida contra a ocupação francesa em 16 de Junho de 1808. Embora sem serem referidas (porque sabemos que o papel das mulheres ao longo da história foi na maioria das vezes ocultado e esquecido) as mulheres olhanenses devem ter dado o seu contributo nessa resistência aos invasores.
 
 
          Passemos então à mulher em Olhão na sua vertente de trabalhadora e de contributo para o desenvolvimento da sua terra.
 
          A vida destas mulheres começou por ser ligada ao mar, mais propriamente à Ria Formosa já que foram pescadores que fundaram Olhão, logo, embora não conheçamos muita informação sobre o papel da mulher naquela altura, pelos motivos atrás expostos, pressupõe-se que seria ligada ao mar e às tarefas ligadas à pesca em terra.
 
          Ao longo dos tempos as mulheres de Olhão tiveram outras ocupações  que as tornaram conhecidas,  como por exemplo fabricar sapatos de ourelo “Eram sapatos de confecção caseira, que ocupava muitas mulheres   e eram vendidos nas feiras e mercados por todo o Algarve e em Setúbal..”
 
          E ao falarmos da mulher trabalhadora em Olhão não podemos passar sem falar das operárias conserveiras que durante muitos anos deram vida e coloriram esta terra, com os seus lenços esvoaçantes, a sua vivacidade, o seu “alarido” e o som dos tamancos a passar na rua em grupo de manhã e à tarde, e muitas vezes à noite quando a fábrica apitava porque havia peixe para o serão e tinham que largar tudo em casa e abalar para a fábrica.
 
          Eram as de  Olhão; as que vinham de Quarteira (chamadas as quarteireiras); outras de outros locais, porque a mão de obra da terra não chegava nos tempos prósperos das fabricas de conservas em que Olhão chegou a ter entre fábricas e Estivas, mais de 70 unidades.
 
          Mas apesar da animação que se descreve atrás, a vida destas mulheres era muito dura, porque apesar de  imprescindíveis para o desenvolvimento desta indústria, pois cerca de 90% da mão de obra das fábricas,  era  feminina, apenas a cravação e o “mestre” eram homens, elas eram exploradas e tratadas da pior forma possível pelos seus patrões , estando sempre dependentes do apito da fábricas e com salários baixíssimos. A par disso eram ainda discriminadas por alguns sectores da sociedade e lembramos aqui que as operárias conserveiras eram excluídas em quase todas em todas as associações olhanenses. Tendo em consequência disso criado os profissionais deste sector criado uma associação onde pudessem participar que foi a Musica velha, a actual Musica Nova. Só a partir dos anos sessenta é que começa a haver uma abertura inicialmente pela parte da Recreativa Progresso olhanense  e os Olhanenses.
 
          Depois por vários motivos que dariam tema para outro debate, esta indústria entrou em decadência, e neste momento as poucas fábricas de conservas que há empregam um número reduzidíssimo de mulheres.
 
          Apesar disso continuam a haver   operárias em Olhão distribuídas pelas poucas fábricas de conservas que restam, pela indústria da panificação e pastelaria, fabrico de gelados, sumos etc.
 
          Hoje a maioria das mulheres de Olhão trabalha fora do Concelho porque depois do declínio da indústria conserveira Olhão, por falta de uma gestão criteriosa e estruturada até hoje não conseguiu dar a volta por cima criando alternativas  e assim de importadores de mão de obra, passámos à necessidade de grande parte dos residentes necessitarem de sair da sua terra para trabalhar.
 
          As que ficam, trabalham em serviços públicos, comercio, Autarquia e há uma boa fatia na agricultura que é uma ocupação quase esquecida dos nossos governantes locais e que merece mais atenção. Também o marisqueio ocupa uma parte significativa da mão de obra feminina.
 
          O 25 de Abril veio dar ao papel da mulher  e a qualquer destas profissões a dignificação que merecia. Foram reguladas as relações de trabalho com contratos negociados com representantes dos trabalhadores e do patronato. Foi valorizado o papel das operárias e as suas condições de trabalho melhoraram muito.
 
          Hoje quando se comemora o 34º Aniversário do 25 de Abril, constatamos com revolta e preocupação que muitas das coisas que se conquistaram com o 25 de Abril já levaram retrocesso e algumas estão em perigo. 
 
          Para nós, a melhor forma de comemorar o Aniversário do 25 de Abril é juntos, mulheres e homens , estarmos unidos na defesa dos valores e conquistas do 25 de Abril.
Se me permitem ainda, acabo com um texto de Raul Brandão   a propósito do bioco no seu livro "Os Pescadores", em 1922:
 
          “ Ainda há pouco tempo todas (as mulheres de Olhão) usavam cloques e bioco. O capote, muito amplo e atirado com elegância sobre a cabeça, tornava-as impenetráveis.
          É um trajo misterioso e atraente . Quando saem, de negro envoltas nos biocos, parecem fantasmas. Passam, olham-nos e não as vemos. Mas o lume do olhar, mais vivo no rebuço, tem outro realce... Desaparecem e deixam-nos cismáticos. Ao longe, no lajedo da rua ouve-se ainda o cloque-cloque do calçado - e já o fantasma se esvaiu, deixando-nos uma impressão de mistério e sonho. é uma mulher esplêndida que vai para uma aventura de amor? De quem são aqueles olhos que ferem lume?... Fitou-nos, sumiu-se, e ainda - perdida para sempre a figura -, ainda o som chama por nós baixinho, muito ao longe-cloque. cloque."
 
           Finalmente mesmo. Concluímos que, respeitando as diferenças que nos complementam   estamos  conscientes que isto só lá vai em conjunto e parafrazeando alguém conhecido  diríamos “Isto sem nós,   mulheres e homens, não tinha graça nenhuma”
  

 

Texto introdutório 2
 
A luta das mulheres atravessa um longo caminho. Há muitos séculos da nossa civilização as mulheres viviam num mundo de escuridão e de escravidão.
 
Nos últimos séculos após revolução francesa a condição da mulher na Europa começou a melhorar a um pouco e a revolução do Outubro em 1917 abriu uma nova era para as mulheres.
 
As mulheres na União Soviética conquistaram o mesmo direito dos homens. Conseguiram integrar-se nas várias sectores de trabalho, não só no ensino ou arte, mas na ciência, tecnologia e muitos outros sectores, onde antigamente dominavam só os homens.
 
Hoje em dia no mundo ocidental, as mulheres ocupam mais lugares no ensino, no arte etc., embora mesmo aqui, no ocidente as mulheres ainda no séculoXXI são vítimas de desigualdade, violência domestica, discriminação no trabalho e muitas vezes são vistas apenas como objectos de prazer.
 
Mas a situação da mulher no terceiro mundo ainda permanece muito preocupante.
 
O trafico-sexual atravessa todo o planeta. Em cada ano, centenas de milhares de mulheres são raptadas, coagidas, compradas e vendidas para a escravidão sexual.
 
Na Índia há 400-500 mil crianças prostitutas. Na Tailândia 800 mil crianças e adolescentes foram forçadas á prostituição.
 
Nos Estados Unidos em cada dia, quatro mulheres são assassinadas pelos maridos ou namorados.
 
Mais do meio milhão de mulheres morrem a cada ano, vítimas de complicações evitáveis durante gravidez e o parto.
 
20.50% de todas as mulheres sofreram violência de algum "ente querido".
 
Dois terços dos 870 milhões de analfabetas são as mulheres.
 
Famílias chefiadas por mulheres são mais vulneráveis á pobreza do que as chefiadas por homens.
 
Nos Estados Unidos as mães solteiras criam um terço das crianças que vivem em condição de pobreza.
 
Por quase todo mundo, as mulheres ganham em media, dois terços ou a três quartos do salário dos homens, pelo mesmo serviço.
 
Em alguns países árabes, uma mulher pode ser vendida por troca de um ou dois camelos.
 
Na Arábia Saudita, as mulheres não podem frequentar a mesma sala de aulas, que os homens nas universidades. Têm de ficar numa sala separada e assistir as aulas através de transmissão pela televisão.
 
Também queria falar um pouco sobre mulheres do meu país.
 
Embora a Índia tenha um desenvolvimento económico bastante progressivo, a religião e a tradição dominam completamente a sociedade indiana.
 
As mulheres na Índia não apenas enfrentam a violência e a discriminação social, política e trabalhista, já que são desprezados ante de nascer.
 
 
 
Na Índia existem 32 milhões de homens a mais que mulheres.
 
O aborto selectivo de bebes do sexo feminino, que afecta cerca de 500 mil fetos ao ano, apesar de determinação do sexo antes do nascimento ser proibida.
 
Em alguns estados da Índia (por exemplo, Bihar), muitas vezes, uma menina logo após nascimento é assassinada.
 
Aqui trata-se um problema cultural e tradicional. As mulheres indianas são obrigadas trazer um dote quando se casam. A maioria das vezes, o dote fica muito caro para os familiares, é quase impossível casar-se, se uma mulher nasceu numa família pobre.
 
Muitos pais juntam e poupam dinheiro durante longos anos, para que a filha possa vir a casar-se. Dai, muitas vezes, uma menina não é bem-vinda na família, os pais têm de juntar muito dinheiro para o casamento.
 
Uma mulher é violada a cada meia hora na Índia, Muitas indianas são assassinadas, geralmente queimadas por não levar o casamento um dote grande ou suficiente.
 
Pois, é este o mundo real, onde vivemos.
 
Quando ainda estava na Índia, muitas vezes ouvi as mulheres perguntaram-se, "porque é que eu nasci mulher e não homem?"
 
Pois, é esta a realidade que estamos a enfrentar a cada dia.
 
Esperemos que esta realidade um dia fique na história como os outros acontecimentos horríveis, esperemos que venha uma nova era, que vivamos numa sociedade mais justa, onde uma mãe, uma irmã, uma tia, uma esposa ou simplesmente uma mulher não diga mais isso: "Porque é que nasci mulher e não homem?"
   
publicado por às 12:37
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